sábado, 18 de agosto de 2007

O REI REINA E NÃO GOVERNA

“ Não sei porque a língua humana
Os brutos não falam mais,
Quando hoje tem melhor vida,
E há muita besta instruída
Nas ciências sociais...

Ultimamente estenderam
Que tinham também razão
De proclamar seus direitos
Pondo em uso os bons efeitos
Que trouxe a revolução...

Seja o leão, diz o asno,
Um Presidente constitucional;
Com assembléias mudáveis
Com ministros responsáveis
Não nos pode fazer mal.

Fiquem-lhe as garras ocultas,
Não ruja, não erga a voz,
Conforme a tese moderna
Que ele reina e não governa,
Quem governa somos nós...

Todas as bestas da terra
Todas as bestas do mar
Tenham os delegados,
Sendo ministros tirados
Do seio parlamentar...

Muito bem! Grita o macaco
A gente vai ser feliz!
Respeito à ciência alheia;
Publicista de mão cheia,
O burro sabe o que diz

Todavia, acho difícil
Que Dom Leão rugidor,
Sujeito à sede e a fome,
Queira ter somente o nome
De Presidente ou de Imperador!...

Acostumado a pegar-nos
Com suas patas animais
Calar-se, fingir-se fraco!...
Segundo penso eu... macaco...
Dom Leão não pode mais!

Acode o asno: “eu lhe explico,
Nada vai a objeção:
Se o Presidente viola o preceito,
Salvo nos fica o direito
De fazer revolução.”

Mestre burro, isto é asneira,
Palavrão de zurrador,
Esse direito é fumaça
De que nos serve a ameaça,
Quando nos falta o valor?

Só vejo, que bem nos guarde
Na cadeira, algum animal,
Que coma e viva viajando,
O Porco!... Exemplo acabado
De Presidente constitucional...”


TOBIAS BARRETO DE MENEZES
(Adaptado)
Nota: "Pense num texto que

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